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O ultimato do presidente

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, tem um novo recado para os brasileiros que perderam – para a Covid-19 e para sempre – o pai, a mãe, a irmã, um amigo, a esposa, o avô, o amor da sua vida... “Chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos que enfrentar os problemas, respeitar obviamente os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades. Mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos?”. É crucial parar o presidente da República urgentemente. Lockdown no Brasil, sem antes promover o lockdown do presidente, não funciona. O ultimato de Bolsonaro foi feito um dia após o Brasil ter registrado mais de 1900 mortes em apenas 24 horas. Sensível como uma porta, perverso como um fascista.  Em apenas um ano, já morreram quase 260 mil pessoas no país. Até ontem, menos de 4% da população foram vacinados. Desse total, menos de 2% receberam as duas doses. Meus pêsames. Allysson Teotonio

Remorso é coisa de veado

Para Bolsonaro, pouco importa se morrerem 250 mil ou meio milhão. Essa tragédia não o comove e também não vai  mudar o comportamento dele. O presidente acha que está certo. Aliás, tem certeza. Com a sensibilidade de um poste, é incapaz de sentir um pingo de remorso. Um ano se passou, a pandemia piorou no Brasil, e a maior autoridade da República continua exatamente a mesma. Não adianta dizer que as UTIs estão lotadas em 17 capitais. Bolsonaro não se comoveu com a falta de oxigênio. Vai se preocupar com falta de UTI? Doze meses depois, ele ainda promove aglomerações, não coloca na cara e ainda desincentiva o uso de máscaras, não dá nenhuma importância à vacina, joga contra o isolamento social e não quer pagar o auxílio emergencial. Nada mudou. Comete crimes contra a saúde pública. E segue solto pelas ruas. Se quiserem salvar vidas, não contem com ele. Não insistam. Salvar vidas nunca foi a praia dele. O desprezo ao tema é evidente desde os tempos de reles deputado. ...