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Mostrando postagens com o rótulo corrupção

O imoral da história

O moralismo é falso. Sempre foi. O moralismo é estratégia política e eleitoral da direita e da esquerda. O povo adora o discurso moralista, é majoritário, é senso comum, mas o próprio povo não consegue aplicar a teoria na prática. Assim como os políticos. A denúncia de corrupção na compra da vacina Covaxin não nos deixa mentir. Não há barulho dos bolsonaristas agora porque o governo é de Bolsonaro. Se fosse do PT, haveria barulho ao surgir o primeiro indício, sim. Não há barulho agora por questão de sobrevivência política e ideológica. Só por isso. Evidenciar o silêncio dos petistas no passado em casos semelhantes, como se fosse uma desculpa para tentar justificar o silêncio dos bolsonaristas no presente, é uma furada. Apenas coloca ambos no mesmo balaio.  A outra estratégia do bolsonarismo é dizer que o denunciante é um vigarista. Tática antiga essa, a de tentar desqualificar o autor da denúncia para enfraquecê-la. Como se a vida pregressa do denunciante fosse capaz de inocentar o...

E daí, Mané?

Flávio não é Mané. Comprou uma mansão de R$ 6 milhões em área nobre de Brasília. Mané mal consegue pagar 6 contos pelo litro de gasolina, vive na periferia, de aluguel, que está atrasado porque ele perdeu o emprego na pandemia. Flávio não é Mané, mas é um mané. O cara vive enrolado na justiça, acabou de ter a quebra de sigilo bancário e fiscal anulada pelo STJ sob suspeita de interferência do pai, presidente da República, a seu favor. O garoto é acusado por lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia sobre o esquema das rachadinhas comandado por ele, em parceria com Queiroz, preso no ano passado, envolve R$ 6 milhões em desvio de recursos públicos e a compra suspeitíssima de vários imóveis no Rio. Não há peixinho no mar da corrupção, há um tubarão graúdo a ser pego. Flávio é a isca. A compra da nova casa do filho do presidente, que é senador, também aparece num momento, no mínimo, inadequado. Politicamente, uma transação desastrosa, mais uma rachadura na parede falsa da mor...

Acabou a corrupção

Presidente, qual a avaliação que o senhor faz sobre a decisão do STJ que anulou a quebra de sigilo fiscal e bancário do seu filho Flávio no processo das rachadinhas? “Acabou a entrevista”, disse o irritado presidente, antes da pergunta ser concluída, fugindo apressadamente do local da coletiva.  Agora, vamos entender por que a pergunta ficou sem resposta. O esquema de corrupção comandado por Flávio e Queiroz, que tem um chefe oculto que todos nós sabemos quem é, Mané, é uma das coisas mais óbvias do mundo político. Da Câmara Municipal ao Senado. Da direita, do centro e da esquerda.  Funciona assim: o parlamentar embolsa parte do salário dos servidores do seu gabinete. Dinheiro público desviado para o uso pessoal do parlamentar. Assim, financia sua campanha eleitoral, compra cabos eleitorais, votos, imóveis, automóveis, lojas de chocolate, viagens de turismo, enfim, engorda seu patrimônio pessoal e muitos ficam milionários. Como cadeia não foi feita para ricos e poderosos, o pa...

A imparcialidade do óbvio

Se Moro, Dallagnol e seus coleguinhas da Lava Jato tivessem agido rigorosamente dentro dos limites da lei, fora do jogo político, não haveria nada de interesse público para vazar e a operação não estaria hoje sob suspeita. Ela seria inabalável. Não haveria nada para a defesa de Lula acessar, nada para o STF liberar. Absolutamente nada para o questionável Gilmar Mendes questionar, com razão. As mensagens vazadas, a priori, não inocentam Lula, mas incriminam seus justiceiros. Corruptos que a força-tarefa descobriu e prendeu, acusados, réus e condenados, doutores em Direito, juízes, desembargadores, procuradores, promotores, advogados, jornalistas e milhões de cidadãos brasileiros, inclusive antipetistas, não teriam nenhum motivo para questionar a lisura da Lava Jato se ela fosse, na prática, exemplar. Mas as mensagens secretas reveladas por Intercept Brasil e outros veículos de comunicação não deixam mais nenhuma dúvida sobre os métodos ilegais usados pelo então juiz e p...