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O fanatismo é uma prisão

Tudo que acontece na vida tem uma causa. Não necessariamente é obra, castigo ou ausência de Deus. Muitas vezes é tão somente consequência de nossos atos mundanos. É imprescindível estar atento a cada ato, a cada passo. Não permita que a sua fé se transforme em fanatismo. Pois, se isso acontece, perde-se a capacidade de compreender a realidade.  O Brasil de hoje, em pleno debate eleitoral, precisa mais do que nunca compreender a realidade. Fincar os pés no chão, não no céu. O momento exige a defesa intransigente da Constituição, o livro que rege o país de todos, não de alguns. O livro que garante, inclusive, a sua liberdade religiosa. A vida espiritual não deve anular a vida real. Uma complementa a outra; elas se retroalimentam. Perder a compreensão da realidade é viver em um mundo que não existe, alienado. É uma prisão – e não há saída. Não permita que os vendedores da palavra de Deus comprem a sua consciência, o seu discernimento, a sua liberdade, a sua crença, a sua alma, a sua f...

Quem pesquisa amigo é

Sempre que aparece uma pesquisa eleitoral com Bolsonaro na frente de Lula, contrariando todos os grandes institutos do país, os percentuais de intenção de voto de Ciro e Tebet são os mesmos das pesquisas em que Lula vence Bolsonaro. Divulgada amplamente pelos governistas, a pesquisa Brasmarket saiu poucas horas antes do Datafolha, ontem. A pesquisa, que traz o presidente com 13 pontos na frente (poxa, logo 13), foi paga pela simpatizante Associação dos Supermercados do Rio de Janeiro. Brasmarket Bolsonaro 43,5% Lula 30,5% Ciro 7,6% Tebet 4,6% Datafolha Lula 45% Bolsonaro 33% Ciro 8% Tebet 5%

O imoral da história

O moralismo é falso. Sempre foi. O moralismo é estratégia política e eleitoral da direita e da esquerda. O povo adora o discurso moralista, é majoritário, é senso comum, mas o próprio povo não consegue aplicar a teoria na prática. Assim como os políticos. A denúncia de corrupção na compra da vacina Covaxin não nos deixa mentir. Não há barulho dos bolsonaristas agora porque o governo é de Bolsonaro. Se fosse do PT, haveria barulho ao surgir o primeiro indício, sim. Não há barulho agora por questão de sobrevivência política e ideológica. Só por isso. Evidenciar o silêncio dos petistas no passado em casos semelhantes, como se fosse uma desculpa para tentar justificar o silêncio dos bolsonaristas no presente, é uma furada. Apenas coloca ambos no mesmo balaio.  A outra estratégia do bolsonarismo é dizer que o denunciante é um vigarista. Tática antiga essa, a de tentar desqualificar o autor da denúncia para enfraquecê-la. Como se a vida pregressa do denunciante fosse capaz de inocentar o...

O canhão e o golpe de espoleta

Ao pedirem demissão conjunta, após a exoneração do ministro da Defesa, os comandantes das Forças Armadas deram um duro recado, ou melhor, um chute com botas de pelica naquele que deveria ser, também na prática, a maior autoridade do Brasil. Os generais não cederão aos rompantes autoritários de Jair Bolsonaro. Finalmente, não se curvaram ao (reles) capitão dentro do governo. Mostraram que Bolsonaro tem o exército de um homem só. Após o episódio, inédito na história do Brasil, alguns oficiais superiores já utilizam o termo “ladrãozinho” ao se referirem ao presidente, famoso pelos esquemas de desvio de recursos públicos nos gabinetes parlamentares dos tempos da vida fácil de deputado, que durou 30 anos e lhe rendeu um patrimônio familiar milionário. Nessa conjuntura, portanto, podemos fazer uma leitura sobre o isolamento do presidente e suas consequências. Primeiro, é preciso dizer que um golpe militar não se faz com ameaças prévias, públicas, numa live do Facebook, como sugere Bolsonaro....

O ultimato do presidente

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, tem um novo recado para os brasileiros que perderam – para a Covid-19 e para sempre – o pai, a mãe, a irmã, um amigo, a esposa, o avô, o amor da sua vida... “Chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos que enfrentar os problemas, respeitar obviamente os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades. Mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos?”. É crucial parar o presidente da República urgentemente. Lockdown no Brasil, sem antes promover o lockdown do presidente, não funciona. O ultimato de Bolsonaro foi feito um dia após o Brasil ter registrado mais de 1900 mortes em apenas 24 horas. Sensível como uma porta, perverso como um fascista.  Em apenas um ano, já morreram quase 260 mil pessoas no país. Até ontem, menos de 4% da população foram vacinados. Desse total, menos de 2% receberam as duas doses. Meus pêsames. Allysson Teotonio