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O grande favorito

Apesar da poderosa máquina do governo federal, do orçamento secreto com bilhões de reais nas mãos de aliados, do pacote eleitoral de bondades que incluiu a redução do preço dos combustíveis e o aumento do Auxílio Brasil, da campanha indisfarçável de igrejas evangélicas, do poder econômico do agronegócio e da Faria Lima, Lula venceu no primeiro turno com mais de 6 milhões de votos à frente de Bolsonaro. Faltou apenas 1,57% para se eleger presidente no domingo passado. A vitória de Lula é fenomenal. É um feito histórico no Brasil. Ele conseguiu a maior votação da história em primeiro turno. E mais: na frente do atual presidente da República e candidato à reeleição. Outro feito inédito. Mais espetacular ainda porque ele também venceu, na prática, a escancarara e poderosa máquina de compra de votos do governo Bolsonaro. E por falar em compra de votos, o orçamento secreto comandado pelos aliados de Bolsonaro fez (coincidentemente) uma grande bancada bolsonarista no Congresso Nacional. O PL,...

O fanatismo é uma prisão

Tudo que acontece na vida tem uma causa. Não necessariamente é obra, castigo ou ausência de Deus. Muitas vezes é tão somente consequência de nossos atos mundanos. É imprescindível estar atento a cada ato, a cada passo. Não permita que a sua fé se transforme em fanatismo. Pois, se isso acontece, perde-se a capacidade de compreender a realidade.  O Brasil de hoje, em pleno debate eleitoral, precisa mais do que nunca compreender a realidade. Fincar os pés no chão, não no céu. O momento exige a defesa intransigente da Constituição, o livro que rege o país de todos, não de alguns. O livro que garante, inclusive, a sua liberdade religiosa. A vida espiritual não deve anular a vida real. Uma complementa a outra; elas se retroalimentam. Perder a compreensão da realidade é viver em um mundo que não existe, alienado. É uma prisão – e não há saída. Não permita que os vendedores da palavra de Deus comprem a sua consciência, o seu discernimento, a sua liberdade, a sua crença, a sua alma, a sua f...

Quem pesquisa amigo é

Sempre que aparece uma pesquisa eleitoral com Bolsonaro na frente de Lula, contrariando todos os grandes institutos do país, os percentuais de intenção de voto de Ciro e Tebet são os mesmos das pesquisas em que Lula vence Bolsonaro. Divulgada amplamente pelos governistas, a pesquisa Brasmarket saiu poucas horas antes do Datafolha, ontem. A pesquisa, que traz o presidente com 13 pontos na frente (poxa, logo 13), foi paga pela simpatizante Associação dos Supermercados do Rio de Janeiro. Brasmarket Bolsonaro 43,5% Lula 30,5% Ciro 7,6% Tebet 4,6% Datafolha Lula 45% Bolsonaro 33% Ciro 8% Tebet 5%

O imoral da história

O moralismo é falso. Sempre foi. O moralismo é estratégia política e eleitoral da direita e da esquerda. O povo adora o discurso moralista, é majoritário, é senso comum, mas o próprio povo não consegue aplicar a teoria na prática. Assim como os políticos. A denúncia de corrupção na compra da vacina Covaxin não nos deixa mentir. Não há barulho dos bolsonaristas agora porque o governo é de Bolsonaro. Se fosse do PT, haveria barulho ao surgir o primeiro indício, sim. Não há barulho agora por questão de sobrevivência política e ideológica. Só por isso. Evidenciar o silêncio dos petistas no passado em casos semelhantes, como se fosse uma desculpa para tentar justificar o silêncio dos bolsonaristas no presente, é uma furada. Apenas coloca ambos no mesmo balaio.  A outra estratégia do bolsonarismo é dizer que o denunciante é um vigarista. Tática antiga essa, a de tentar desqualificar o autor da denúncia para enfraquecê-la. Como se a vida pregressa do denunciante fosse capaz de inocentar o...

O canhão e o golpe de espoleta

Ao pedirem demissão conjunta, após a exoneração do ministro da Defesa, os comandantes das Forças Armadas deram um duro recado, ou melhor, um chute com botas de pelica naquele que deveria ser, também na prática, a maior autoridade do Brasil. Os generais não cederão aos rompantes autoritários de Jair Bolsonaro. Finalmente, não se curvaram ao (reles) capitão dentro do governo. Mostraram que Bolsonaro tem o exército de um homem só. Após o episódio, inédito na história do Brasil, alguns oficiais superiores já utilizam o termo “ladrãozinho” ao se referirem ao presidente, famoso pelos esquemas de desvio de recursos públicos nos gabinetes parlamentares dos tempos da vida fácil de deputado, que durou 30 anos e lhe rendeu um patrimônio familiar milionário. Nessa conjuntura, portanto, podemos fazer uma leitura sobre o isolamento do presidente e suas consequências. Primeiro, é preciso dizer que um golpe militar não se faz com ameaças prévias, públicas, numa live do Facebook, como sugere Bolsonaro....