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Informação é liberdade



Você talvez já deve ter visto várias postagens nas redes sociais com este infeliz argumento: “Se você vota no mesmo candidato que os presos votam, não pode reclamar da violência no país”.

É óbvio que esta seletiva e equivocada interpretação surgiu do bolsonarismo, né? Claro. O infeliz argumento nasce do fato de Lula ter obtido 72,6% dos votos na eleição de 2026 nas unidades prisionais brasileiras.

Recebi o ‘meme’ de um eleitor de Flávio Bolsonaro e, obviamente, não engoli a provocação. Fui em busca de informações sobre o resultado das eleições nas unidades prisionais e, como eu já esperava, há muita coisa escondida embaixo do tapete pela propaganda bolsonarista.

Vamos aos fatos. O Brasil possui 964.668 pessoas presas em penitenciárias e delegacias, conforme dados atualizados e validados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Desse total, segundo o TSE, apenas 12.817 eleitores estão habilitados para votar em unidades prisionais em 2026. Detalhe importante: além de presos, também votam mesários, agentes penitenciários, policiais penais e servidores registrados nas seções instaladas nessas unidades.

A permissão para votar não se aplica a pessoas que tenham sido condenadas criminalmente em decisão definitiva – é o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo. Quando há trânsito em julgado da sentença, os direitos políticos ficam suspensos. Apenas os presos provisórios podem votar. Ou seja, aqueles que não foram condenados e ainda podem, inclusive, ser absolvidos. Exemplo: o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, aquele rapaz que deu R$ 64 milhões a Flávio Bolsonaro para, supostamente, produzir um filme sobre a vida do pai, aquele que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

Agora vamos aos números que o bolsonarismo esqueceu embaixo do tapete. O Partido Liberal (PL), da família Bolsonaro, foi a legenda que somou mais votos na seção eleitoral instalada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, em 2026. O local, onde o ex-presidente Bolsonaro já ficou preso, também abriga nomes conhecidos de investigações, como o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Antonio Carlos Camilo Antunes, o famoso Careca do INSS. Os dois principais personagens dos atuais escândalos de corrupção no Brasil.

Voltemos aos números. O PL recebeu na Papuda 233 votos na soma dos resultados para presidente, deputado federal, deputado distrital e senador. O PT recebeu 30 votos a menos, ficou em segundo lugar, com 203. Quase empatados, Lula recebeu 74 votos, e Flávio, 70.

A ungida do Senhor, Michelle Bolsonaro (PL) foi a candidata ao Senado mais votada na seção eleitoral da Papuda, com 68 votos. Na sequência ficaram Erika Kokay (PT), com 62 votos, Leila do Vôlei (PDT), com 58, e Bia Kicis (PL), com 54 votos.

O cunhado de Vorcaro e operador do esquema criminoso do Banco Master, Fabiano Zettel está preso na Penitenciária II de Potim, interior de São Paulo. Quer saber qual foi o resultado da eleição lá? Toma aí: Flávio recebeu 8 votos, e Lula 7. O aliado dos Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) recebeu 9 votos (75%), aquele que ganhou R$ 2 milhões do Banco Master em doação na campanha eleitoral de 2022. Fernando Haddad (PT): 3 votos (25%).

Contém ironia. Ok? Moral da história: se você vota nos mesmos candidatos que esses presos votam, não pode reclamar da corrupção no país. Né?

Allysson Teotonio, Jornalista


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Este artigo foi escrito com informações apuradas pela imprensa: G1, UOL, Band e CNN Brasil.


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